Prisão de Plataforma:
trabalho por plataformas digitais, segurança pública e novos contornos da economia informal na cidade
Resumo
O trabalho mediado por plataformas digitais em São Paulo consolidou-se enquanto ocupação importante nas dinâmicas de reprodução social da cidade. Partindo da premissa de que a precarização do trabalho e a segurança pública são mecanismos pelos quais a dimensão disciplinar e de privação de direitos é operada e reproduzida fora dos presídios, este artigo analisa a plataformização a partir de relatos de experiência de trabalhadores(as) da economia informal de São Paulo cujas trajetórias foram atravessadas pelo sistema prisional e demais dispositivos da segurança pública, investigando assim como o trabalho plataformizado aprofunda desigualdades que passam pelo mundo do trabalho de egressos(as), familiares de detentos e populações impactadas pelos dispositivos de segurança pública, especialmente as polícias. O artigo situa a plataformização como fenômeno que amplifica crises preexistentes entre cárcere e mundo do trabalho, reproduzindo estruturas históricas de exclusão e privação de direitos sob novos formatos e narrativas no espaço urbano.
