Contribuições para o debate da relativa autonomia do Serviço Social a partir da formação profissional

Autores

DOI:

https://doi.org/10.47208/sd.v26i3.2727

Palavras-chave:

Serviço Social, Formação Profissional, Relativa autonomia

Resumo

A proposta deste artigo consiste em discutir os projetos de formação em disputa na particularidade do Serviço Social brasileiro nos tempos atuais e suas implicações para a construção da relativa autonomia nos termos do projeto ético político ao longo da graduação, de maneira a fomentar ações profissionais munidas de intelectualidade e criticismo. Metodologicamente, optou-se pelo estudo exploratório e de caráter bibliográfico. Os resultados apontam para o crescimento de um movimento conservador pautado em uma formação acadêmico-profissional técnica e anti-intelectualista que, além de atingir o projeto de formação profissional delineado pela ABEPSS (1996), tem alterado o perfil dos/as bacharéis em Serviço Social, tendendo a reduzir a relativa autonomia no exercício da profissão a uma autonomia permitida, incentivada e alargada, desde que sob controle dos empregadores.

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Biografia do Autor

Carlos Antonio de Souza Moraes, Universidade Federal Fluminense

Doutor em Serviço Social pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC/SP - 2016); Mestre em Política Social pela Universidade Estadual do Norte Fluminense (UENF - 2009); Bacharel em Serviço Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF - 2006); Professor permanente do Programa de Estudos Pós - Graduados em Política Social (UFF/Niterói); Professor Adjunto na Universidade Federal Fluminense, Departamento de Serviço Social de Campos/ Campos dos Goytacazes/ RJ/ Brasil, na área de Pesquisa e Produção do Conhecimento em Serviço Social; Líder do Grupo Interdisciplinar de Estudo e Pesquisa em Cotidiano e Saúde (GRIPES - CNPQ), com coordenação de projeto de pesquisa com aprovação, no mérito, pelo Edital Jovem Cientista do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ, 2019), além de aprovação de auxílio financeiro (FOPESQ/PROPPI/UFF, 2017), bolsa de iniciação científica (PIBIC/UFF; 2017-2018; CNPq/UFF 2018 - 2019; 2019 - 2020) e projeto de extensão com financiamento (PROEX/UFF, 2017). Subchefe de Departamento do Curso de Serviço Social de Campos/Universidade Federal Fluminense (2017-2019); Coordenador de Pesquisa do Departamento de Serviço Social de Campos (2017-2018); Membro suplente do Comitê Assessor de Pesquisa da Pró-Reitoria de Pesquisa, Pós Graduação e Inovação da UFF (PROPPI - UFF; 2019); Membro do Núcleo Docente Estruturante (NDE 2017-2021); Autor de artigos publicados nas principais revistas acadêmico-científicas do Serviço Social no Brasil. Tem atuado no ensino, pesquisa e extensão com temáticas inseridas, prioritariamente, nas seguintes áreas: Serviço Social, formação, trabalho e mercado de trabalho profissional; Serviço Social e trabalho profissional na política de saúde.

 

Carla Mangueira Gonçalves, Universidade Federal Fluminense

Mestranda em Sociologia pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia da Universidade Federal Fluminense; bacharel em Serviço Social pela Universidade Federal Fluminense. Integra o Grupo Interdisciplinar de Estudo e Pesquisa em Cotidiano e Saúde (GRIPES/CNPq – UFF), o Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Sujeitos, Sociedade e Estado (NEPSSE/INCT/InEAC) e o grupo de pesquisa “Subjetividade, memória e violência de Estado”.

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Publicado

2020-12-15

Como Citar

Moraes, C. A. de S., & Gonçalves, C. M. (2020). Contribuições para o debate da relativa autonomia do Serviço Social a partir da formação profissional. Sociedade Em Debate, 26(3), 131-145. https://doi.org/10.47208/sd.v26i3.2727